Temperatura Ambiente x Desempenho Ótimo Durante a Prática Desportiva


Uma das tendências nas academias na ultima decada é a climatização dos ambientes, em alguns casos todas as instalações desses centros desportivos estão sendo climatizadas e em outros casos apenas alguns ambientes estão sofrendo essa influência. Mas é necessário uma discussão um pouco mais detalhada para não estarmos prejudicando a prática desportiva por um “modismo” sem conteúdo.

As academias e outros centros desportivos são frequentadas pelos mais variados tipos e estilos de pessoas, com necessidades especiais e com faixas etárias das mais variadas possíveis, incluindo jovens, adultos, idosos, gestantes, obesos, hipertensos, mulheres em período pós menopáusico e assim por diante. E se formos adequar esses ambientes para as necessidades de cada perfil desses frequentadores não teremos uma conduta que possa satisfazer a todos. Dessa forma, vamos fazer uma análise desse espaço.

O Ambiente Desportivo
A sessão de exercício deverá ser realizada em um ambiente de dimensões características apropriadas. O ambiente deverá ser suficientemente amplo, com uma altura de pé direito mínima de 250 cm, amplamente iluminado e bem ventilado. As condições climáticas ideais situam-se em uma temperatura ambiente entre 22 e 25º Celsius e uma umidade relativa do ar entre 40 e 65%.

Primeiramente, é importante a diferenciação entre uma academia climatizada e uma com ar condicionado. Ambiente climatizado não é necessariamente, ambiente com ar condicionado, mas ambiente que proporcione conforto ambiental, e este pode ser proporcionado com ventilação natural, desde que sejam levados em consideração as variáveis locais, como clima, temperatura, direção dos ventos etc.

O ar condicionado pode ser interessante para manter o ambiente livre da poluição externa, desde que os filtros estejam sempre bem limpos. Porém, este desidrata o ar e resseca o muco protetor que reveste as mucosas das vias aéreas, prejudicando o desempenho desportivo. O ressecamento da superfície do epitélio respiratório destrói anticorpos e enzimas que atacam germes invasores, predispondo-nos às infecções. O ar seco irrita os brônquios que produzem mais muco, mais catarro. Daí ao aparecimento de rinites, sinusites e bronquites, a distância pode ser pequena.

Para efeitos de dimensionamento da capacidade de refrigeração do ambiente, deve-se considerar que cada indivíduo em exercício produz uma quantidade de calor bastante alta, podendo alcançar, dependendo da intensidade do exercício, valores correspondentes entre 2 a 12 indivíduos em repouso (PORTO, 2008).

A principal função dos aparelhos de ar condicionado é refrigerar o ambiente, ou seja, diminuir a temperatura para deixá-la mais agradável. Porém, em alguns lugares onde há prática do exercício físico essa diminuição da temperatura é perigosa, pois nesses ambientes a população é muito heterogênea, e a diminuição da temperatura ambiente também provoca a diminuição da umidade relativa do ar, um dos motivos pelos quais a maioria das pessoas não transpiram durante a prática desportiva em ambientes com ar condicionado.

A alteração maior e potencialmente mais séria no estado de fluido corpóreo durante o exercício está relacionada com o aumento na produção do suor para a regulação da temperatura. Apenas 20 a 25% da energia que utilizamos durante o exercício resulta em trabalho mecânico real devido a contrações musculares. O remanescente é liberado em forma de calor. Por exemplo, um determinado indivíduo executando um exercício físico que propiciaria um gasto energético de aproximadamente 15 kcal/min, com uma eficiência mecânica em torno dos 20%, estaria produzindo cerca de 720kcal de calor em uma hora.

Se este calor não for removido, sua temperatura corpórea aumentaria cerca de 12º C. Está claro que isso não acontece, porque a temperatura interna aumenta tipicamente 1 a 2º C após uma hora de exercícios.

Conforme o suor é secretado para a pele, o calor será removido se a água for evaporada para o ar circundante. A quantidade de calor que poderá ser removida através da evaporação é aproximadamente 580 kcal para cada litro (kg) de suor que é evaporado.

Outro aspecto importante é a heterogeneidade da população que frequenta esses ambientes, nesse contexto, poderão estar presentes pessoas gripadas, por exemplo. Como não tem renovação de ar nos ambientes apenas com ar condicionado tipo split system, as bactérias ficam circulando livremente pelo ambiente, podendo infectar outras pessoas.

A Relação da Temperatura Ambiente x Prática Desportiva
Mediante a prática do exercício físico estamos desencadeando um estado de desequilíbrio no nosso organismo, alterando a homeostase (equilíbrio) que predomina nas condições de repouso. Associado a essa quebra da homeostase, temos a diminuição da temperatura ambiente, fatores considerados estressantes para nosso organismo, originando determinadas reações, como por exemplo, a maior produção de certos hormônios como a noradrenalina, adrenalina, hormônio do crescimento e o cortisol.

A temperatura média anual de Florianópolis gira em torno dos 21°C, com variações mais quentes de 26° à 31°C , muito desses ambientes apresentam uma temperatura em torno de 15° a 17°C, o que demonstra uma diminuição de aproximadamente 40 a 32% respectivamente, uma diminuição significativa, principalmente porque associam-se vários fatores contribuintes para esse desequilíbrio orgânico durante á prática desportiva.

Nesse caso, poderá ocorrer uma produção excessiva dos referidos hormônios, os quais poderão prejudicar um desempenho ótimo do exercício físico, bem como induzir alterações indesejadas para nosso organismo, como as que foram citadas na matéria anterior, no que se refere á prática desportiva em ambientes com temperatura baixa e o ar ambiente saturado, ou seja, não renovado, assim como a produção excessiva de cortisol.

Quando essas substâncias são produzidas em grandes quantidades, poderão prejudicar a prática desportiva, como por exemplo: a produção excessiva de cortisol, que poderá ocorrer na presença de frio ou calor intenso. O cortisol quando produzido em quantidades normais não atrapalha a prática do exercício físico, mas quando é sintetizado em demasia, o que depende de vários fatores, como por exemplo: a glicemia sanguínea, a intensidade do treinamento, a duração do mesmo, o tipo de exercício praticado, estado nutricional, ritmo circadiano, nível de condicionamento físico dos praticantes, poderá ser prejudicial para um desempenho ótimo durante a atividade física.

A produção excessiva de cortisol poderá desencadear dentre outros efeitos colaterais, os seguintes:

- Atrofia cerebral;
- Um dos causadores da Doença de Alzheimer;
- Maior catabolismo, ou seja, maior “destruição” do nosso organismo em relação á prática desportiva;
- Pode desenvolver um déficit de memória, principalmente em indivíduos estressados;
- Maior depósito de gordura na região abdominal.

Outro aspecto importante refere-se ao ar ambiente saturado, ou seja, com maior concentração de CO2, porém, nosso organismo necessita de oxigênio puro para uma perfeita nutrição das células e, consequentemente, um perfeito funcionamento.

Cientistas da Universidade Warwick, da Grã-Bretanha e da College London afirmam que a respiração aumenta de acordo com o nível de atividade física realizada, através do aumento de gás carbônico (CO2) que faz com que moléculas de ATP (Trifosfato de Adenosina, energia para contração muscular) sejam liberadas pelas regiões do cérebro sensíveis ao CO2. Essa é a mensagem do cérebro para controlar a respiração e para que o nível de gás carbônico seja reduzido e volte ao normal.

Pesquisadores do Long Island Jewish Medical Center dizem que a parte da tarde seja a melhor hora do dia para se fazer exercícios físicos, pois a função pulmonar neste período alcança o seu máximo. Uma análise realizada durante cinco anos em 4.835 pacientes revelou que o horário com menor função pulmonar era por volta de meio-dia, aumentando durante a tarde até atingir seu pico entre 16h e 17h.

A Solução
O ideal seria a utilização da ventilação natural ou da ventilação mecânica, que além de aproximar a temperatura ambiente da temperatura externa, diminuem o consumo de energia e favorecem a renovação do ar. Uma adequada ventilação desses espaços pode ser conseguida através da correta implantação de aberturas de entrada e saída de ar. No caso da ventilação mecânica, deve-se observar ainda o dimensionamento da vazão do ar proporcionada pelos exaustores, de modo a remover a carga térmica produzida nos espaços considerados, oriunda dos equipamentos, lâmpadas, usuários etc. Pelo acima exposto, verifica-se que o uso da ventilação como estratégia de condicionamento ambiental pode colaborar de forma significativa para a prática desportiva, pois melhora a qualidade do ar ambiente evitando sua saturação.

Essas contribuições tem como intuito a reflexão sobre os inúmeros aspectos alusivos á prática desportiva, bem como os vários fatores que poderão influenciá-la, podendo potencializar à performance como também prejudicá-la.

 

http://www.jefersonporto.com.br/2010/06/temperatura-ambiente-x-desempenho-otimo-durante-a-pratica-desportiva/

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